quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Dia global para a Dignidade


Assinala-se todos os anos, na terceira 4ª feira do mês de outubro o Dia Global para a Dignidade.

Para assinalar este dia, a Escola Secundária de Estarreja organizou, com a colaboração da Direção Geral de Educação, um webinar subordinado ao tema "Migrações, Refugiados e Direitos das Mulheres". 

Esta iniciativa em Portugal conta com a colaboração de cerca de 40 globalshapers do Hub de Lisboa, que não são mais do que personalidades de diversas áreas que aderiram a várias causas e se tornaram ativistas pelos Direitos Humanos. Vou tentar resumidamente, dar a minha visão dos aspetos que mais me chamaram a atenção neste webinar.

Mas, o que será isso da Dignidade?

No tema Valores Éticos, na disciplina de Filosofia, costumo interagir com a área de Cidadania e Desenvolvimento, justamente a respeito dos Direitos Humanos e dos Valores que lhes estão subjacentes.

O respeito pela a pessoa humana supõe a preservação da sua dignidade; isso é um direito inalienável, como o direito à vida. Esses são valores de caráter consensual e por isso mesmo, universais.

Por isso condenamos a escravatura, o tráfico de pessoas, o roubo de órgãos, o trabalho infantil, a exploração sexual, e tantas outras  situações que põem em causa este direito fundamental: a Dignidade.

Neste webinar foram apresentados trabalhos no âmbito da área de Cidadania e Desenvolvimento por alunos do secundário da área de Economia (11º e 12º anos), em que se abordaram situações que ainda acontecem no nosso e em outros países ditos "desenvolvidos", tais como:

- A situação dos migrantes do concelho de Odemira, que trabalham em condições de (semi)escravatura;

- A situação de pessoas de áreas da Banca, que podem trabalhar 7 dias e mais de 100 horas por semana.

- pessoas que apenas dormem 5 horas por noite por conta da pressão dos seus empregadores/empresas. (O aluno chamou a isto "a escravatura moderna", com o que eu tendo a concordar...)

Foram ainda denunciadas situações de emprego em que a desigualdade de género ainda de faz sentir de uma forma muito discriminatória, por exemplo:

- As mulheres ganham menos 18,2% que os homens.

- Apenas 18,6% por cento das empresas têm mulheres em cargos de chefia.

- Em Portugal, até 2015 apenas 31 mulheres tiveram o cargo de Ministra, ao contrário de centenas de homens.

- Na Europa, uma em cada 4 mulheres sofre violência física ou sexual do seu parceiro íntimo.

- Uma em cada 2 mulheres é discriminada no seu emprego se estiver grávida.

- Permanecem abusivamente nalguns países do Médio Oriente os casamentos infantis.

Estas situações são atentatórias dos Direitos das Mulheres, que são Direitos Humanos.

-  As crianças têm direito à escolaridade e a não ser obrigadas a casar quando deviam andar na escola.

- As mulheres têm direito a estudar, têm direito à saúde e têm direito a ser tratadas com paridade nos seus locais de trabalho. Isto passa também por uma igualdade de oportunidades e por uma igualdade salarial.

Nestes aspetos, os países nórdicos, como a Islândia, a Noruega, a Dinamarca, a Suécia e a Finlândia, são os que registam na Europa, menores taxas de desigualdade entre homens e mulheres. Fora da Europa é a Nova Zelândia, onde aliás, o voto foi aberto às mulheres em 1893. Em 1911 no Japão.

Há registos de lutas e greves das mulheres pelos seus direitos 400 anos antes de Cristo na Grécia; mas só em 1948, pela mão de Eleanor Roosevelt, vimos consignados por escrito alguns direitos fundamentais na Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Malala Yousefsai ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2014 por lutar pelo direito à Educação das meninas e jovens no Paquistão. (Ela própria uma blogger, viu-se atingida pelas balas dos talibans, que estão hoje em dia a tomar conta do Afeganistão e a impor um regime de terror, de repressão e de "apagamento" da identidade das mulheres).

António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas definiu como umas das suas prioridades deste seu segundo mandato, a luta pela igualdade de género e do fim da discriminação, da exploração e da violência contra as mulheres.

Resumindo: quer se seja um migrante, quer se seja um refugiado, quer se seja uma mulher, grávida ou não, todas as pessoas têm direito à Dignidade e à igualdade de oportunidades e de tratamento.

Cabe a cada um de nós, na sua Escola, no seu bairro, na sua cidade ou aldeia, na sua empresa, no seu Centro de Saúde, vigiar e denunciar situações de abuso e de violação dos direitos fundamentais das pessoas humanas que todos somos. E podem crer que ainda há e haverá muito por fazer.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Dia Europeu para o combate ao tráfico de seres humanos

 




A Comissão Europeia definiu o dia 18 de Outubro como o Dia Europeu para o combate ao tráfico de seres humanos. 

Ao contrário do que seria de supor em pleno século XXI, a escravidão não desapareceu; pelo contrário, ela continua a existir, sob outras formas, é certo, mas ainda assim, criando situações de extrema gravidade.

Vimos notícias sobre trabalhadores rurais do concelho de Odemira (infelizmente, ele não será caso único), que viram os seus direitos mais básicos coartados e vivem em condições infra-humanas

Vão chegando também notícias de grupos de mulheres traficadas, aliciadas com a ideia de bons empregos, mas a quem são retirados os passaportes e que são depois colocadas em redes de prostituição forçada, depois de serem presas, espancadas e viciadas em consumo de estupefacientes. 

Este "negócio" rende às redes de traficantes um lucro de 100 biliões de dólares anualmente a nível mundial, o que o aproxima do tráfico de drogas e da armas.

De todos os seres humanos traficados em todo o mundo, 70% são mulheres. Só em Portugal em 2019-2020 foram identificadas 13 mulheres traficadas. É preciso tomar consciência desta terrível realidade.

Estas situações existem um pouco por todo o mundo e são dos maiores atentados aos Direitos Humanos. Conhecemos casos de casamentos forçados, extração de órgãos e servidão doméstica, que urge denunciar. As vítimas são forçadas a calar-se, muitas vezes debaixo de ameaças de morte, etc.

Cabe-nos combater este flagelo e o primeiro passo para isso é a denúncia. Divulguemos e partilhemos.

Para ver um exemplo de uma ação na Escola Secundária D. Inês de Castro, em Vila Nova de Gaia, clique aqui. Trata-se de um Espetáculo Documental a partir de relatos de mulheres traficadas.

"A peça chama-se “Mulheres-Tráfico”. Trata-se de um espetáculo documental, a partir de relatos de mulheres traficadas, do encenador Manuel Tur. 

O evento assinala, através do teatro, o Dia Europeu de Combate ao Tráfico de Seres Humanos, dia 18 de outubro. Organizado pelo Plano Nacional das Artes e pela Secretaria de Estado da Cidadania e Igualdade (SECI), com o apoio da DGESTE."


sábado, 16 de outubro de 2021

O mistério da brutal morte de Hypathia de Alexandria

 

A morte de Hypathia de Alexandria, numa ilustração de um livro do século XIX.

Esta é a história de um assassinato envolto em mistério. E o enigma não é quem cometeu o crime, nem como, mas sim porquê. Em meados do primeiro milénio, uma mulher erudita foi despedaçada por uma multidão que usou telhas dos telhados e conchas de ostras para cortar a carne viva do seu corpo.

A vítima havia sido professora, conferencista, filósofa e matemática. E despertou a fúria de fundamentalistas cristãos. Era Hypathia, a primeira mulher matemática de que se tem conhecimento seguro e detalhado.

O crime aconteceu entre 415 e 416 depois de Cristo em Alexandria - cidade fundada por Alexandre o Grande em 331 antes de Cristo e que se converteu rapidamente num centro de cultura e aprendizagem no mundo antigo.

Como é comum ocorrer no caso de personagens da Antiguidade, o tempo dissipou muitas informações sobre Hypathia. Mas diversas fontes históricas garantem que ela existiu.

Como poucas mulheres de sua época, Hypathia pôde estudar porque era filha de um homem com formação educacional: Teón de Alexandria, astrónomo e prolífico autor, que editou e comentou obras de pensadores como Euclides.

Uma mulher excecional

"Era extremamente bonita. Ao falar, era articulada e lógica, as suas ações eram prudentes e de espírito público. A cidade acolheu-a como merecia e dedicou-lhe um respeito especial".
In Enciclopédia do século XX sobre Hypathia.

Artigo da BBC NEWS Brasil
Via Professor João Carlos Silva, a quem agradeço a partilha.