A Religião e o sentido da Existência
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| Foto (c)Lelé Batita |
No
quotidiano, inúmeras situações refletem a fragilidade da condição humana, a
finitude do ser humano, a contingência do individuo, a solidão do Homem. Os
nossos dias são como estradas de cidade, cheias de bifurcações, rotundas,
cruzamentos, becos sem saída, e nós, a nossa mente, somos o carro. Todos os
dias temos um novo percurso a percorrer e somos nós que escolhemos o nosso
caminho, nós e só nós. Mas qual será? Será que devemos virar à esquerda e
visitar a avó, ou será que devemos virar à direita e ir cumprimentar a rapariga
bonita à porta da mercearia? O ser humano sempre se prendeu no facto de a vida
apresentar uma quantidade ínfima de possibilidades e de não sermos capazes de
determinar um caminho certo e único. No entanto, uma coisa é certa, a vida tem
uma duração definida, ninguém consegue escapar às garras da morte. E pode ser
tão simples como tropeçar na calçada e cair para estrada, um condutor distraído
e o coração para, assim, sem nada que possamos fazer para o evitar. Isto
faz-nos de pensar também na contingência do ser humano, na importância que ele
tem face ao mundo, face à existência. Será que a rapariga, que tentava alcançar
reparou? Se calhar sim, se calhar viu-o caído mas será que isso o torna
indispensável à existência humana? Será a morte dele um acontecimento que ponha
em causa a vida, a existência humana? Não me parece. Podia existir como podia
não existir, não fazia diferença. E por fim, a existência humana faz-nos ter
consciência que por mais laços afetivos que estabeleçamos, vamos sempre estar
sozinhos na derradeira hora. Ninguém acompanhou o rapaz, ninguém seguiu com ele
para a escuridão, nem a avó, de quem tanto gostava. O ser humano está entregue
a si próprio, às suas decisões e à sua liberdade.
A tese
defendida pelo autor (Camus) centra-se
no facto de que a sensação
de Liberdade que por vezes sentimos, a sensação de que somos donos do nosso
futuro é contraditória e por isso, contrariada pela morte. A morte impede que
haja liberdade.
Segundo
o autor, a morte
desempenha um importante papel na consciência do individuo. Esta adquire um
estatuto subordinante relativamente à vida e à liberdade, impedindo que estas tenham
alguma autonomia. A morte é inevitável, não temos opção, não temos poder de
escolha. A morte é a derradeira prova da nossa falta de liberdade.
O decesso
tem assim, na nossa consciência, um papel de opressão, impossibilitando a
existência de liberdade. “Essa liberdade superior, essa liberdade de ser que é
a única a poder fundar uma verdade, sei então que ela não existe. A morte está
ali como única realidade”.
Segundo o
autor (Camus), a morte desempenha um importante papel na consciência do individuo. Esta
adquire um estatuto subordinante relativamente à vida e à liberdade, impedindo
que estas tenham alguma autonomia. A morte é inevitável, não temos opção, não
temos poder de escolha. A morte é a derradeira prova da nossa falta de
liberdade.
O decesso
tem assim, na nossa consciência, um papel de opressão, impossibilitando a
existência de liberdade. “Essa liberdade superior, essa liberdade de ser que é
a única a poder fundar uma verdade, sei então que ela não existe. A morte está
ali como única realidade”.
O autor põe em causa o sentido da
existência a partir da relação entre a liberdade e a morte. Numa primeira
instância, o autor afirma que o sentido da existência se encontra profundamente
ligado com a liberdade dando vários exemplos: “Pensar no amanhã, fixar um
objetivo, ter preferências, tudo isto supõe a crença na liberdade”.
Posteriormente, como já vimos, afirma que a morte impede a existência da
liberdade porque esta define uma realidade inevitável e obrigatória a todos. A
morte não pode ser contrariada, não pode ser impedida e tendo em conta que a
liberdade e a morte não podem coexistir, a liberdade não existe. Sendo assim, e
realçando o que o autor refere relativamente ao sentido da existência, se não
há liberdade, o sentido da existência fica comprometido.
A crença na
existência de uma entidade ou realidade exterior, superior e perfeita, capaz de
intervir no rumo dos acontecimentos surge como elemento unificador, e até
atenuador, estabelecendo uma ponte entre a angústia existencial do ser humano e
o mistério da morte, surgindo uma certa harmonia entre razão e a fragilidade
humana.
Soren Kierkegaard considera a religião necessária ao individuo na
medida em que esta será o meio de conferir um sentido à existência e vida
humana, constituindo assim um meio de atenuar a vertigem e angústia do nada. O
ser humano livrar-se-á, deste modo, da consciência do vazio e do sentimento de
angústia, tomando consciência que a morte não é necessariamente o fim de tudo
e, simultaneamente, que não está sozinho, que as escolhas não são em vão e que
os acontecimentos realmente podem ter significado. Kierkegaard defende que a
tal crença em algo fora da própria existência humana concreta e a própria fé,
sentimento fundamental da vivência religiosa, conferem não só resposta aos
problemas mais profundos da condição humana, como estes, mas também melhoram a
capacidade aceitação do sofrimento, assim como atribuem um sentido à
existência, fazendo ainda com que o ser humano se sinta protegido e que a
sensação de angústia e fragilidade seja atenuada.
A existência
de uma realidade fora da situação concreta em que vive o ser humano é uma ideia
que nos acompanha desde o início dos tempos. Acasos e coincidências, sensação
de déjà vu, milagres, fenómenos
paranormais e premonições surgem frequentemente como indicadores dessa
existência. A meu ver, estes acontecimentos não são de todo indicadores da
existência de algo superior. Todos estes elementos são obra de anomalias à
regra, exceções ao que é considerado normal. São todos explicados pela ciência,
tal como tudo neste Universo, e nada significam nem simbolizam. No entanto,
opiniões relativas a este tema são muitas. Soren Kierkegaard defende que os
acontecimentos podem ter significado, sendo este significado conferido pela
religião. Assim, segundo este autor, elementos como milagres, acasos,
coincidências, etc, têm de facto, significado e resultam da intervenção de uma
entidade ou realidade exterior, indicando a sua existência.
Muitas vezes, elementos como
milagres, premonições, fenómenos paranormais, entre outros, assumem o papel de
explicação para situações inexplicáveis, dando origem à discussão sobre a
aceitação destes fenómenos enquanto argumentos.
Na minha
opinião estes elementos não constituem, de maneira nenhuma, uma explicação para
certas situações, consideradas por alguns “inexplicáveis”. Como mulher de
ciência de sou, acredito que tudo tem uma explicação racional e lógica. Defendo
que tudo pode ser provado através de uma equação, ou de uma lei física.
Os milagres
nada mais são do que desvios do padrão, como tantas vezes acontece em
experiências laboratoriais, situações excecionais. O facto de uma pessoa com às
portas da morte sobreviver, não está, a meu ver, relacionado com alguma força
divina mas sim com o facto de existirem células vivas dentro do organismo da
pessoa, que precisavam apenas de tempo para entrarem em funcionamento. “A
esperança é a última a morrer” é uma expressão que todos conhecemos e adquire
uma importância muito grande quando falamos de saúde e morte. Eu acredito que,
realmente, a esperança deve ser a última a morrer, mas a esperança em quê?
Esperança que algo “inexplicável” ocorra, ou esperança que o organismo, como
incrível que é, seja capaz de solucionar o problema através das suas múltiplas
funcionalidades? A posição relativamente a este tema é clara: ciência. Tudo
pode ser explicado pela ciência.
As
premonições também não constituem um argumento de explicação para as tais
situações “inexplicáveis”. São baseadas pura e simplesmente em probabilidades
matemáticas. Mesmo sem perceber matemática, o nosso cérebro é capaz de analisar
a frequência com que certas coisas ocorrem, e como ocorrem, em que condições. E
é com base nessa análise, nessas reações químicas que ocorrem no cérebro, que
certas pessoas poderão pensar que tem premonições. Para além disso, esses
vislumbres do futuro ou do presente longínquo não estão sempre certos, provando
mais uma vez que resultam de uma análise matemática, constituindo uma
probabilidade, não uma certeza. E resultando de fenómenos matemáticos e
químicos, não de fenómenos divinos, muito menos constituindo situações
“inexplicáveis”.
Não digo que
aquilo que pensamos sobre a ciência esteja tudo certo. Há formulas a acertar,
há leis a adaptar, teorias a desenvolver. Nós apenas tentamos saber o máximo
que podemos tendo em conta onde e quando nos encontramos. Há coisas que
certamente consideramos certas agora e mais tarde irão provar-se falsas mas
isso não significa que não seja ciência. O que ainda não sabemos explicar hoje,
iremos saber explicar amanhã, mas isto segundo leis universais, comprovadas e
explicadas, não admitindo situações “inexplicáveis”
Em suma,
considero o recurso a elementos acima enunciados, como milagres e premonições
como meio de explicação de “situações inexplicáveis”, de facto, absurdo, uma
vez que todos esses fenómenos podem ser explicados através da ciência e,
mesmo que por agora, possa ainda não existir uma resposta
explicativa e concreta para determinados acontecimentos, esta existe, mas, como
sabemos a ciência está em constante progresso em desenvolvimento.
Catarina Brites, 11º ano