sexta-feira, 5 de junho de 2020

As hipóteses científicas e a incerteza

Ilustração alusiva ao coronavírus - (c)Milo Manara, Itália, 2020

As declarações do presidente do Instituto Nacional de Saúde, segundo o qual "poderemos assistir a uma nova vaga da Covid-19 muito pior do que a primeira" vêm corroborar aquilo que tento explicar aos meus alunos no âmbito do estudo do conhecimento científico. 

A Ciência evolui por saltos, por procedimentos experimentais, por ensaio e erro; e são precisamente as incertezas, as insatisfações e a busca de soluções cada vez mais aproximadas daquilo a que se convencionou chamar "a verdade", que a fazem evoluir. 

Não adianta nada ficarmos sistematicamente a condenar os cientistas porque não descobrem aquilo de que precisamos, aquilo que é tão urgente e necessário, aquilo que era para ontem; eles fazem o seu trabalho, que é pesquisar, experimentar e analisar resultados. Depois desenhar outras conjeturas, buscar outros caminhos, traçar planos alternativos. 

As soluções podem não vir em tempo útil? Pode acontecer. Mas mesmo tendo essa noção, o homem de Ciência não desiste de perseguir os seus objetivos e a persistência será o mais importante dos seus traços de caráter.
As incertezas, os avanços e recuos, as revisões e os passos atrás fazem parte do processo científico em si mesmo.
Devemos sim, estar agradecidos a todos aqueles que embranquecem os cabelos a pensar em soluções alternativas, a pesquisar nos seus laboratórios, a exporem-se aos maiores riscos e a ficarem míopes de tanto olhar pelos microscópios. 

Assim como Galileu ficou cego por tentar perceber o que eram as manchas do Sol, também os cientistas de hoje poderiam dizer, acerca da temível Covid-19 que assola o mundo em 2020, de cada vez que falham uma pesquisa ou que retardam em encontrar uma solução: "e contudo ela move-se!"

(Para ler a entrevista com o Dr. Fernando Almeida clique aqui.)

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