segunda-feira, 11 de maio de 2020

Cidadania e valores morais: a questão dos preconceitos

Imagem do Blogue "Crônicas de Paris"

Hoje venho aqui propor uma reflexão sobre um dos males da sociedade e que nos afeta, a uns mais do que a outros, mas que todos conhecemos: trata-se do papel dos preconceitos, que muitas vezes acarretam prejuízos emocionais, exclusão social, dificuldades de empregabilidade e traumas difíceis de ultrapassar.
Hoje falamos dos gordos, do muito que sofrem com o escárnio social e das machadadas que isso produz na autoestima.
Dou a palavra a uma jornalista brasileira que relata uma vivência na 1ª pessoa, ocorrida no Brasil.
Hoje, a mesma jornalista vive e trabalha em Paris e é estudante de Filosofia na Sorbonne. 
Convido-vos a comentar este artigo, transcrito na íntegra do Blogue "Crônicas de Paris".

Gorda

«Um dos episódios mais marcantes que eu passei no Rio de Janeiro foi quando uma vez peguei um ônibus para ir ao trabalho.  O destino final da linha era a rodoviária e estávamos numa quarta-feia, véspera de um "feriadão".  
Pois bem, o trânsito estava pesado, muito engarrafamento e o clima no transporte era de preocupação. Quando chegou perto de onde eu ia descer, o motorista, com aquele típico jeito de ser carioca, pergunta:
-Alguém quer aproveitar e ficar  no sinal?
Muita gente desceu, mas eu, cansada após cobrir um evento e precisando chegar à redação do jornal, ciente de que  a jornada do dia seria de pelo menos umas 13 horas até escrever a matéria antes do fechamento, tratei de prevenir:
-Motorista, eu vou descer no ponto mesmo, tá?
Foi quando fui surpreendia com a manifestação de um homem – que ao longo do trajeto já demonstrava muita insatisfação, resmungando palavrões e bufando a cada lentidão do tráfego.
-Ah, não! Pelo amor de Deus! Tem gente que vai viajar e tá com risco de perder o ônibus! Ca…(ele solta um palavrão), não pode caminhar até o ponto, não? Gorda pra caramba, devia andar mais!
Percebendo o tom ofensivo, confesso ter ficado bem abalada.  Mas consegui me dirigir a ele perguntando se estava se referindo a mim. Ao receber a resposta afirmativa, aos gritos, só tive tempo de dizer o que veio à cabeça.
-Eu pelo menos posso emagrecer. Pior quem é feio e nem cirurgia plástica adianta
O povo no ônibus riu, mas o indivíduo grosseiro não se fez de rogado. Mais revoltado ainda, de grosso acrescentou o deboche.
-Ah, agora a gordona se acha bonita, é? E desde quando gorda é bonita? Gooooorda! Goooorda! 
E ficou gritando “gooooorda” inclusive pela janela, depois que desci do ônibus. 
Lembro de ter entrado no prédio onde trabalhava, em frente ao ponto de ônibus, com o som de “gooooooorda” ecoando  em meus ouvidos. Entrei no banheiro, já aos soluços, uma colega, hoje uma amiga, solidarizando-se, me consolou.
-Não liga pra esse idiota. E você não é gorda!
Salto no tempo de 10 anos depois, estou sentada sozinha no balcão de um bar em Paris. O barman, um homem bem atraente, começa a puxar conversa. Num dado momento do diálogo, ele me diz:
-Você é muito bonita. Uma das mulheres mais bonitas que já vi de perto.
Percebendo, enfim, o tom de cantada e não estando interessada, respondo:
-Não sou bonita não, sou gorda.
O francês me olhou com uma cara de quem não tinha entendido. Falei então em inglês. Ele rebateu:
-Desculpa, mas não  foi a língua que não entendi. Foi sua associação entre ser gorda e não ser bonita. Conheço gordas lindas e magras feias, magras bonitas e gordas feias. Eu não estou falando do seu biótipo. Estou apenas te elogiando. Eu te acho linda.
O choque levou à reflexão imediata. Vim de um país onde ser gorda é sinônimo de ser feia. Não digo que não haja isso aqui, mas é em menor grau. Principalmente em se tratando de atratividade entre pessoas seguidores do preceito heteronormativo, baseado nas relações afetivas ou sexuais de quem tem atração pelo sexo oposto – pois é a seara que conheço. 
A frase ouvida da amiga na redação uma década antes “você não é gorda”, escutei a vida inteira. Hoje percebo que quem me falou isso estava querendo dizer “olha, você é bonita mesmo com a balança marcando um Índice de Massa Corpórea (IMC) de obeso.”. Seja porque meu corpo, apesar de redondo, tem forma de violão. Seja porque o “conjunto da obra” transmite uma certa harmonia que pode até me “fazer passar por normal”.
Normal no sentido de norma, padrão vigente. Muitas pessoas não fazem isso por maldade.  Mas gostaria de aproveitar a lição aprendida no balcão de bar parisiense para alertar que existe preconceito nessa fala. 
Tanto preconceito quanto aquele ouvido por pessoas negras do tipo “ah, mas você não é preto”, quando o indivíduo tem pele em tom menos escuro, ou as tais “feições finas”.  Ou do gay que escuta “ah, mas você sabe se comportar, não fica dando pinta por aí”, dito a quem não carrega o estigma do “viado que desmunheca”.
A negação de uma condição transformada em pretensos elogios só atrapalha o combate à padronização dominante. Essa mesma padronização que leva aos preconceitos de raça, compleição física, orientação sexual e o que mais houver.
Eu poderia teorizar infinitamente sobre essa questão, citando autores, filosofia etc. Mas este espaço não tem pretensões acadêmicas. Ao mesmo tempo, basta irmos a um museu e ver algumas modelos da Renascença ou até do Impressionismo para termos certeza: padrão de beleza é uma construção social. 
E se tem uma coisa boa dessa contemporaneidade na qual somos conectados pela tecnologia, é a capacidade de, justamente, desconstruir esses paradigmas. Eu sinto falta de mais representação de mulheres gordas consideradas sexy e bonitas. Eu estou cansada do estigma da gorda engraçada ou nerd. 
Estou cansada de um mundo onde “gorda” é xingamento. 
E o que isso tem a ver com Paris? Talvez o aprendizado de que ser gorda não quer dizer ser feia. Ou talvez porque, em terra de perna fina, quem tem coxão é rainha…»
Ana Paula Cardoso, Paris, 05/05/2019
Artigo do Blogue "Crônicas de Paris».
Na transcrição do texto foi respeitada a grafia da autora, segundo a norma brasileira.
Para ver o perfil da autora do texto, clique aqui.

Ana Paula Cardoso

29 comentários:

  1. Infelizmente é nesta sociedade que vivemos hoje em dia.
    Uma sociedade onde que se uma pessoa não estiver dentro dos padrões de beleza estipulados pela cultura é denegrida pelos outros o que é repugnante .
    Ass:Rodrigo Silva

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    1. É uma forma de Bullying, também, Rodrigo.
      Bullying não é só bater em alguém mais frágil.
      Obrigada pela sua participação.

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  2. Mais do que tratar a obesidade precisamos de preveni-la através de mudanças no estilo de vida. Para isso, precisamos de mudanças na sociedade: mais atenção às necessidades da população em atividade física e melhoria nos hábitos alimentares. A obesidade traz também consigo um estigma e um preconceito. Deste preconceito são alvo milhões de pessoas por todo o mundo. A discriminação está associada à estigmatização, ou seja, estereótipos negativos e preconceitos influenciados por empregadores, prestadores de cuidados de saúde, professores, colegas, familiares e pela comunicação social. A discriminação assume atitudes, comportamentos e formas diferentes, incluindo tratamento injusto, como despedimento de um emprego por causa do excesso de peso ou pagar menores salários em comparação com empregados mais magros, por exemplo. As pessoas obesas não merecem um alvo nas costas por causa das suas escolhas de alimentação, de vida ou por terem uma condição que as faz ser assim, o ser humano tem que ser mais recetivo a todos os seres humanos sem exceção, independentemente de serem altos ou baixos, gordos ou magros, bonitos ou feios. Idealmente o mundo seria um lugar onde casos como o que esta senhora passou não ocorressem, gordo não deve e não é passível de ser sinónimo de feio, mas penso que apesar de todas as chamadas de atenção, estamos longe desse objetivo.

    Ass: João Vasconcelos

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  3. A meu ver uma pessoa ser gira ou feia não depende das aparências, mas sim da sua personalidade. Infelizmente, grande parte da população segue os estereótipos da sociedade e acha que se uma pessoa não encaixar exatamente naquilo que é considerado belo, significa que é feio. Já eu, penso que as aparências das pessoas servem para nos dar apenas uma ideia inicial sobre elas, mas que a sua beleza pode aumentar ou diminuir de acordo com a sua forma de ser e de viver a vida.
    Desta forma, acho que para o caso da obesidade ou do excesso de peso desde que a pessoa se sinta confortável consigo mesma, o principal problema não se relaciona à aparência, mas sim à saúde, pois a obesidade traz problemas cardíacos, diabetes, etc. Fora isto, cada um tem o direito de ser como quer, e não é por ser mais gordo ou mais magro, que vamos ser mais giros ou mais feios, pois o que importa realmente é aquilo que somos por dentro.

    Guilherme Pires nº13 11º4º

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  4. A discriminação de outras pessoas apenas por não se incluir nos padrões de beleza definidos pela sociedade será sempre desprezível, seja por ser baixa, alta, gorda, magra. Concordo bastante quando no texto a autora diz que a negação de uma condição transformada em pretensos elogios só atrapalha o combate à padronização dominante, porque num sentido ou outro a pessoa tem de aceitar o que é, tem de ter noção de como é e de se sentir feliz como é, e se estiver sempre a ouvir as pessoas à sua volta a tentar suavizar a situação negando os factos, isso não ajuda a pessoa a olhar-se ao espelho e aceitar-se.
    Agora falando de pessoas gordas ou magras, acho que a pessoa tem de ter noção que algumas vezes não é saudável estar muito acima ou muito abaixo do peso, se a pessoa for feliz consigo mesmo e aceita-se tal como é, boa. Mas todos temos a hipótese de mudar relativamente a este tópico, é preciso força de vontade e não desistir. Agora gostos são pessoais, não conseguimos fazer nada quanto a isso, se uma pessoa não achar outra bonita só porque é gorda ou magra, apenas temos de respeitar porque o “belo” é subjetivo.
    Concluindo, o importante a reter é que não é por ser gordo que és “automaticamente” feio, o importante é aceitares-te como és e estar rodeado por pessoas que te aceitem como és.

    André Pita, nº2

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  5. Infelizmente hoje em dia ainda vivemos numa sociedade repleta de preconceito num países mais que noutros porem é triste saber que ainda muita gente maltrata alguém física ou verbalmente tendo em conta o seu peso,cor ou etc...
    Por mais diferente que alguém seja merece ser tratada por respeito pois todos nós somos humanos e merecemos ser tratados com dignidade.
    Não é por alguém ter excesso de peso que passa a ser feito pois o que é belo para uma pessoa pode não ser para a outra,e ninguém merece ser discriminado pelo seu peso
    Carlos Neves n6

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  6. O facto de as pessoas hoje em dia ainda utilizarem o adjetivo "gorda" para insultar alguém é algo triste. Alguém ter mais peso que o indicado para a sua altura, pode não ser benéfico mas pode também não ter qualquer efeito negativo na sua saúde. Um pessoa pode perfeitamente ser saudável e ter mais 5 ou até 10 kg que o indicado, mas este aspeto é a nível corporal. A sociedade tem mentalizado que "gordo/a" é um insulto, e as pessoas alvo convencem-se do mesmo. E devido a este esteriótipo, a saúde mental dessas pessoas é afetada. Tenho amigas que por comentários como estes que a jornalista ouviu, começaram dietas extremas. Ou seja, começa por ser uma coisa que afeta a nível psicológico e acaba por comprometer a saúde do próprio corpo. Do meu ponto de vista, psicológica ou corporal, a saúde de um ser humano deve ser prioridade. Ninguém deve ser discriminado ou humilhado por algo que faz parte de si, neste caso, o peso. Qualquer um deve sentir-se bem como está, e ser gordo/a não pode, nem deve impedir isso, muito menos comentários de pessoas alheias que são, escusado será dizer, desnecessários e mostram a falta de moral e respeito perante os outros. Mas infelizmente, este tipo de situações acontecem ainda hoje, e é a sociedade em que vivemos.
    Catarina Reis, nº7

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  7. Valores morais são sempre reflexos da Cultura. E existe, também, a cultura do Bullying e da violência verbal e psicológica. Cabe aos mais esclarecidos ir sempre, sempre, combatendo o preconceito. E a sua primeira forma é a denúncia. Seja de aspeto corporal, cor, género, religião ou etnia.
    Obrigada pela sua participação neste debate, Catarina.

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  8. É de facto na minha opinião lamentável que nos dias de hoje pessoas sejam ainda descriminadas por não possuírem os atributos "necessários" no padrão de beleza imposto pela sociedade, algo que referiu muito bem a autora e que é de facto perfeitamente descabido e retrógrado nos dias de hoje ainda haver este tipo de mentalidade. É uma expressão bastante usada, mais a verdade é que reflete bem a realidade; no final de contas somos "todos iguais" e ninguém merece à primeira partida jamais ser julgado por qualquer característica física, ou o que quer que seja. Como indivíduos todos merecemos o mesmo respeito e na minha ótica é incrivelmente triste que a descriminação esteja ainda bem presente nos dias de hoje, e que adjetivos como gordo(a) sejam ainda considerados como um insulto. É no entanto importante que haja este tipo de testemunhos para que possamos entender que ainda há muita coisa errada na nossa sociedade, e espero genuinamente que possa mudar a opinião de muitas pessoas e tornar a nossa sociedade no geral mais justa, inclusiva e menos discriminatória.

    Rafael Carvalho nº24

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  9. Estou completamente de acordo, Rafael. Revela uma mentalidade retrógrada e injusta. Muito obrigada pela sua participação.

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  10. Considerei este artigo bastante interessante, porque sinto que todos nós já experienciamos uma situação semelhante, quer direta ou indiretamente. O nosso mundo, infelizmente, ainda se baseia bastante no aspeto físico das pessoas e na convicção de que a mulher só é bonita se seguir determinados padrões (se ela for magra, não tiver estrias/celulite etc…), mas a verdade é que todos nós temos uma beleza muito própria e que nos torna únicos!
    A ideia de beleza é subjetiva, no entanto, a sociedade parece tentar ao máximo que esta se torne universal e indiscutível. Se analisarmos a ideia do que era “bonito” na antiguidade, deparamo-nos com mulheres consideradas “gordas”, mas que eram exatamente uma representação de uma mulher saudável, com curvas e bonita! Ao contrário do que muitos pensam, possuir alguns quilos a mais do que o expectável para a nossa altura e/ou forma do corpo não é sinónimo de sermos pouco saudáveis.
    Em alguns países asiáticos, existe o preconceito de que as pessoas gordas são preguiçosas, porque estes acreditam que alguém só é gordo porque “quer”, mas a verdade é que a genética possui um papel importante no que toca à forma como o nosso corpo é. Mesmo que alguém pratique desporto 5 vezes por semana, são raros os casos em que essa pessoa consegue obter o corpo que sempre desejou, ou que é considerado “bonito”.
    Algo que me revolta bastante é o facto de as pessoas se sentirem no direito de comentar a forma como alguém é. Todos nós sabemos que jamais seremos bonitos aos olhos de todas as pessoas, no entanto, não acho correto este tipo de atitudes, porque não só magoam a pessoa em questão como, no exemplo do caso apresentado, acabam por envergonhar a vítima e colocá-la numa posição na qual ninguém deseja estar.
    Para concluir, considero essencial que as pessoas se lembrem de que não devem viver para agradar o próximo. O importante é amarmo-nos como somos e esperar por alguém que respeite e admire as nossas diferenças.

    Catarina Damas, nº8, 11º3

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    1. Estou completamente de acordo, Catarina. Obrigada pelo seu comentário.

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  11. Na minha opinião é lamentável que as pessoas tenham este tipo de atitudes discriminatórias.
    Pessoas que são humilhadas e discriminadas porque não se encontram dentro dos "padrões de beleza" impostos pela sociedade: ou porque são muita magras,ou porque são gordas, ou porque são altas, ou porque são baixas...
    Atitudes destas só mostram o quão injustas e mesquinhas as pessoas conseguem ser, mostrando assim falta de educação e de respeito para com outros. A verdade é que a beleza não é igual para todos. É sim algo subjectivo, porque o que eu possa considerar belo, outros podem não considerar.
    A nossa sociedade tem a tendência de comentar tudo, não só a nível de corpos, como caras, vestuário, etc.
    A meu ver, as pessoas comentam e criticam outras para se sentirem melhor consigo mesmas, daí estarem constantemente a procurar defeitos nos outros, para não se sentirem tão mal. O que acontece é que a maioria das pessoas com este tipo de mentalidade não se apercebem do impacto que certos comentários têm nos outros a nível psicológico. A quantidade de casos de pessoas que eu conheço que começaram a fazer dietas rigorosas devido a comentários desses e que se fechavam em casa a chorar com a quantidade de ofensas que recebiam é completamente absurdo.
    Todos merecemos o mesmo respeito e ser aceites como somos.
    Atitudes como esta deixam-me de boca aberta sinceramente.
    Se dependesse de mim, cada um que criticasse o outro pela sua falta de beleza, gordura, etc., deveria transformar-se naquilo que critica. Talvez assim aprendessem a lição.

    Mafalda Gargaté, nº20, 11º3

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  12. Mafalda, a questão não se resolve em ripostar as más atitudes, ou sequer em desejar os "mesmos males" aos outros, como se de uma vingança se tratasse. Mas sim chamar a atenção para o erro que constituir a troça ou a discriminação e tentar mudar essas mentalidades retrógradas e de exclusão pessoal e social.

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  13. Infelizmente este tipo de comportamentos embora desprezáveis são mais comuns do que deveriam ser na comunidade de hoje em dia. Na minha opinião uma pessoa não deve ser julgada com base no seu peso ou aparência , mas sim pelas suas ações e gestos.
    Nós enquanto ser Humano sentimo-nos atraídos pelo belo mas essa ideia de beleza varia de pessoa em pessoa e o que conta realmente é o que está por detrás da nosso aspeto. O que importa é amar-mos a nós mesmos porque essa é a opinião que importa verdadeiramente.

    Ass : Gonçalo Marques n11 11*4

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  14. Obrigada pelo seu comentário, Gonçalo.

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  15. Vejo aqui muitos comentários sobre mulheres sofrerem bullying por serem gordas, mas ao refletir um pouco percebo que acabamos sempre por não pensar no sexo masculino neste tipo de temas, pensamos que os homens não seram tão afetados. Isto acontece muito por causa de outro esteriotipo que se associa a este extremamente bem, o de os homens serem quase desprovidos de emoções e mais rigidos mentalmente, o bullying afeta todos os sexos.
    Rodrigo Fernandes nº26 11º3ª

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  16. Diria que este comportamento infantil e desprezível, na sociedade de hoje em dia, não deveria existir. O facto de alguém usar adjetivos como "gordo" para atacar não só mulheres como também homens prova que a sociedade em que vivemos hoje é bastante baseada em preconceitos de beleza quando, na minha opinião, qualquer indivíduo deveria ter a liberdade de viver como desejar e não ser atacado devido a essa tal maneira de viver.

    Guilherme Simões nº12 11º3ª

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  17. Os padrões de beleza sempre existiram. Em toda a História observámos que eram de definidos ideais de beleza física, muitas vezes impossíveis de alcançar. Todos diferentes uns dos outros, todos variavam consoante a localização geográfica, consoante a época. Os padrões de beleza existem há milhares de anos. Não seria agora altura, com todo este desenvolvimento, de finalmente os extinguir?
    Nascida e criada nesta sociedade moderna e ocidental, sempre ouvi dizer: “Aquela atriz está tão bonita, viste como emagreceu?”; “Engordei um pouco, estou feia.” Desde pequena que tudo o que vejo e oiço é que é mau ser-se gordo ou gorda, que o que se quer é raparigas magras. Muitos eram os relatos de raparigas com mais 5 anos do que eu a sofrer de anorexia e outras doenças parecidas. E foi assim que fui criada, que todos nós fomos educados, e não pela nossa família, mas pela nossa sociedade. Quando me comecei a questionar sobre este assunto foi quando me apercebi da estupidez deste ideal de beleza, deste padrão. Percebi então que o nosso tamanho e o nosso peso não definem a nossa saúde. Não são o que definem se fomos bonitos ou não, não são reflexos do nosso carácter. Nós somos o que somos e o que escolhemos ser. Somos, sobretudo, o nosso interior, somos a nossa simpatia, a nossa solidariedade, compaixão. O que nos caracteriza enquanto seres humanos, o que deixamos neste mundo não é a nossa imagem, é o nosso espírito. É a nossa energia. O facto de a imagem física continuar a ser objeto de troça, de julgamento, ultrapassa a minha compreensão. Uma atitude estereotipada reflete uma mente retrograda e superficial, que se baseia em algo criado pela sociedade para tirar as suas conclusões. Está na hora de sermos superiores a isso. De sermos superiores a estereótipos, a padrões de beleza, a ideais, a gordos e magros, a altos e baixos. É tempo de valorizar o que realmente importa. De prestar atenção ao olhar, ao que nos faz sorrir, à personalidade. Porque pessoas que obedecem e se regem segundo esses padrões, que se deixam levar por essa atitude superficial há muitas, mas pessoas com uma personalidade própria, com beleza interior, pessoas que realmente se importam com as outras, que são boas e que transmitem felicidade. Essas, essas sim são cada vez mais raras.

    Catarina Brites nº8 11º4ª

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    1. Estou completamente de acordo, Catarina. Há que valorizar o outro por aquilo que ele é, não por aquilo que parece ser. A essência do ser humano transparece nos seus valores e atitudes, e muitas vezes a "casca" não o reflete de acordo com os padrões estéticos em vigor.
      Muito obrigada, excelente participação!

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  18. Neste texto está patente o ciclo vicioso que se gera entre um estigma e o preconceito
    subsequente. As diferenças de cariz morfológico, raciais, sexuais ou sociais, são potenciais
    fontes de discriminação muitas vezes baseada na incompreensão e quase impossibilidade de
    racionalização humana. Talvez nasça connosco algum mecanismo que nos impele à não
    aceitação imediata do que é novo, estranho ou diferente. Temos tendência a facilmente
    rotular aparências, mas quase descartamos aprofundar sentimentos de quem consideramos
    diferente.
    Vencer preconceitos, é, portanto, superarmo-nos a nós próprios no combate a limitações
    próprias muito enraizadas no nosso subconsciente remoto.
    No caso concreto a pessoa é gorda, e essa realidade impende sobre ela de múltiplas formas a
    começar provavelmente pela própria saúde física. Essa diferença morfológica, mesmo que
    comum a muitos, sempre acarretou um estigma que pode afetar psicologicamente quem é, ou
    pensa ser, gordo. Saber alertar e encaminhar para a procura de equilíbrio de saúde, é aceitável
    como atitude das pessoas que lhe sejam próximas. Contudo, mais ninguém tem qualquer
    direito a ferir sentimentos de terceiros, com base em julgamento preconceituosos e gratuitos,
    apenas reveladores de baixo carácter.
    Daniel Zayika n9

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