quarta-feira, 29 de abril de 2020

Dia Mundial da Dança

"O Lago dos Cisnes", do compositor russo Piotr Ilitch Tchaikovski
No âmbito da Estética, alguns alunos escolheram como área de trabalho a Dança.
Lembro-me de ter assinalado nas aulas a estreita ligação que a Dança tem com a Música e que elas são duas das mais antigas Artes da Humanidade.
O Dia Mundial da Dança foi instituído pela UNESCO em 1982.

Para assinalar este dia, dedicado a uma das Artes mais belas, fica aqui a minha homenagem a todos aqueles e aquelas que lhe dedicaram a sua vida.
Para citar apenas alguns deles, infelizmente já desaparecidos:
- Anna Pavlova (1831-1931), Martha Graham (1894-1991), Margot Fontaine (1919-1991), Maurice Béjart (1927-2007), Pina Bausch (1940-2009), Rudolf Nureyev (1938-1993);
E, felizmente, ainda vivos: Mikhail Baryshnikov (1948),  Olga Roriz (1955), Rui Horta (1957).

Os atuais bailarinos e coreógrafos, agora confinados em casa e sem possibilidade de apresentar os seus espetáculos, fizeram vários vídeos partilhados na internet para assinalar este dia.
Merecem um aplauso pela sua persistência e toda a nossa solidariedade.

domingo, 26 de abril de 2020

"O que nos motiva?" A palavra aos alunos - 2

Sobre o programa "Entre o Céu e a Terra" com o Prof. Mário Sérgio Cortella  

A morada dos deuses do Olimpo na Mitologia Grega

Mário Sérgio Cortella - Comentário ao vídeo sobre religião e religiosidade

"Considero interessante e comovente relacionar o comportamento natural humano com ciências como a Matemática/Estatística através do estudo da tendência/probabilidade: "A ciência como forma de representar a realidade". É uma ideia que me agrada muito, pois é extremamente reconfortante. 

Eu faço (e fiz) a escolha de acreditar na ciência, como forma de confrontar a imensidão das incertezas que tenho em relação a tudo. Claramente ninguém quer morrer num denso mar de incertezas, mas sim respirar calmamente em momentos de segurança, que são promovidos pela crença. A inferência desse raciocínio é que todas as crenças surgem como solução do mesmo problema: a falta de paz e insegurança no desconhecido. Tal como o filósofo Mário Sérgio Cortella refere, da mesma forma que podemos dar credibilidade ao horóscopo, podemos dar à ciência, ao amor, aos deuses. É tudo uma questão de escolha. Tal que pode ser interpretada de forma binária: 1 ao ser concretizada e 0 ao não ser. Por outras palavras, a escolha promove a exclusão, porquanto 1 sempre será 1 e nunca 0 e, analogamente, 0 sempre será 0 e nunca 1.

Apesar de concordar com a ideia de nós - humanos - sermos capazes de "alterar a nossa rota" dado o nosso livre arbítrio, discordo com a constância comportamental dos animais declarados como não-racionais... parece uma perspetiva tão aristotélica! Dados os avanços nos campos de biologia cognitiva e psicologia, acredito que não haja muito sentido em tal associação.

O questionamento, tal como a constante dúvida, surge como forma de enxergar outras opções, outros caminhos a serem seguidos. Entretanto, como tudo, há extremos. O professor cita a falta de dúvidas e o excesso delas, o que me faz questionar em qual extremo se localizam "os verdadeiros questionadores", os amantes da Pseudociência. Como podem ter tantas certezas se tudo negam?


Escreveu Blaise Pascal: "Que é um homem diante do infinito? Afinal, que é o homem dentro da natureza? Nada, em relação ao infinito; tudo em relação ao nada; um ponto intermediário entre o tudo e o nada (...)".
Será que a formalização da religiosidade surge como resultado do desespero de estar entre o tudo e o nada?
Será a religião só uma forma de suprir o vazio da nossa própria existência?
Há acaso, na coincidência da vontade de Deus com a das pessoas que dizem saber a sua vontade?
Escolher no que crer não é também escolher a prisão na qual viver?
Quem come do fruto do conhecimento é sempre expulso de algum paraíso? 
Se vivemos em função de algo que não trazemos - durante o nascimento - nem levamos - durante a morte - qual é a finalidade da vida? O que nos motiva?"

© Guilherme Marcello, "Análise e compreensão da experiência religiosa", 11º ano.

(Foi mantida a grafia segundo a norma brasileira, de acordo com a nacionalidade do aluno).

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dia Mundial do Livro


A UNESCO selecionou em 1996 este dia como o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.
É incontornável a importância que a leitura tem na nossa vida. Seria impensável vivermos nos dias de hoje sem ler, já que a comunicação assume uma posição fundamental nas nossas relações, quer pessoais, quer laborais. Não é por acaso que o nível de literacia dos povos é um dos critérios para aferir o nível de desenvolvimento dos países. Portugal já só tem níveis baixos de analfabetismo entre as gerações mais idosas e sobretudo em localidades do interior. Mas no início do século XX, a sua taxa era de 80%.

Se é verdade que lemos cada vez menos em papel e mais em écrans, nem sempre assim foi. 
Mas, não faz sentido falarmos de livros e de leitura, sem falarmos de escrita. Elas são as duas faces da mesma moeda. Escrevemos para ler e lemos enquanto escrevemos. Uma não existe sem a outra.

Os nossos antepassados da Pré-História começaram por gravar figuras e símbolos nas paredes rochosas das cavernas, depois em pedras ou pedaços de madeira, mais tarde em placas metálicas e por fim em rolos de papiro. Aquilo que se começou a assemelhar a um livro, veio a ganhar forma. 

Papiros descobertos no Egito no século XX (c. 1952)

Em civilizações como a Grega, a Romana e também no Egito, esses rolos, escritos com tinta artesanalmente produzida, ganharam uma importância fundamental, não só na transmissão do conhecimento, como no repositório e arquivo de documentos, mais ou menos valiosos, que viriam a ser guardados para o futuro.
É claro que muita da história do conhecimento da humanidade se foi perdendo ao longo dos séculos, mercê de  e roubos e pilhagens, terramotos e incêndios, como foi o caso da terrível destruição da Biblioteca de Alexandria; nela residiam cerca de 40.000 rolos de papiro, autênticos tesouros de sabedoria da época clássica, nomeadamente escritos de Ptolomeu, Hypatia e outros mestres da Antiguidade.


Imagens ficcionais da Biblioteca de Alexandria e do seu incêndio.

Os livros na Idade Média assumiram uma outra dimensão; as iluminuras e os estilos de caligrafia pacientemente elaborados por frades copistas e depois cosidos à mão, predominavam essencialmente nos mosteiros, locais por excelência dedicados ao estudo e ao ensino. Esses mosteiros vieram mais tarde a dar origem aos colégios ligados a ordens religiosas, que, de certo modo, mantêm uma tradição até hoje. 
Por exemplo, Descartes frequentou um deles, dos Jesuítas. Mas Descartes já nasceu numa época em que os livros eram impressos, o que veio possibilitar a divulgação da leitura em escala pública. 

Monumento em Berlim
Essa mudança foi originada pela descoberta de Gutemberg, que, por volta de 1439, na sua oficina começou a imprimir com chapas metálicas moldes de letras a que se chamou "tipos". Estava descoberta a imprensa.
Os livros puderam então sair dos segredos das bibliotecas religiosas e chegar a meios laicos e a outras camadas de pessoas, que não só os nobres ou os religiosos. Pouco a pouco, a leitura foi-se expandindo, até chegar à invenção daquilo que conhecemos como jornais, que chegaram a ter grandes tiragens nas tipografias tradicionais e antes dos processos eletrónicos.
Hoje tornou-se muito fácil escrever em teclados e ler em écrans, mas sem Gutemberg, nada disto seria assim.
Ilustração de (C)José Ruy, para a Banda Desenhada sobre Gutemberg
(Cortesia de Maria Fernanda Pinto)
Para saber mais sobre a história do Livro, clique aqui.aqui .

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Dia Mundial da Terra



Hoje celebramos o 50º aniversário do Dia Mundial da Terra.
Cuidemos da Terra. Ela é a nossa Mãe e a nossa Casa.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

A palavra aos alunos em tempos de pandemia

A noção do Bem Comum: como é encarada pela maioria? 


Atualmente vivemos um período escuro na história da humanidade, algo que, apesar de já ter acontecido antes, nunca passa pelo pensamento do ser humano. Vivemos inundados num mundo de materialismo e consumismo, onde o objetivo de muitos é ser melhor e ter mais que o “outro”, e como tal, será esta pandemia um teste ao altruísmo e à solidariedade? Muitos dirão que sim, outros ocupados em abastecer a sua despensa, nem se preocuparão com tais valores.

Agora, mais que nunca, conseguimos perceber realmente quem são os “verdadeiros humanos”, com isto quero dizer que, é em momentos como estes que vemos a humanidade de cada um de nós, quer seja dos nosso amigos ou vizinhos. No dia em que foi declarada pandemia mundial, centenas de pessoas aproveitaram o calor e o bom tempo para ir até à praia, por isso pergunto: Pensaram no outro antes de tomarem essa decisão? A resposta é clara, não. É um facto que por essa altura a situação em Portugal não era grave, mas ainda assim, considero que deveriam ter parado um momento para pensar na saúde pública e no bem comum, já seria um grande passo terem pensado nos seus familiares e amigos. O que mais me indigna e me choca é o facto de terem arriscado a própria saúde, para quê? Para uma foto para as redes sociais? Para uma tarde de conversa com amigos, os quais estamos a pôr em risco?


Este é o maior problema do ser humano, age antes de pensar. Procura fazer sempre mais, e mais, e só depois parar para pensar nas consequências das suas atitudes. Mas, e se todos nós pensássemos assim? E se agora, em pleno estado de emergência, todos os portugueses pensassem “Vou só passear até à praia, aproveitar o bom tempo”. Bem, se todos tivessem esse tipo de pensamento uma coisa é certa, não existiria confinamento. É por esse mesmo motivo, que todos à nossa volta apelam para agir sempre no sentido do Bem Comum, isto é, sair apenas quando é necessário e não comprar tudo em excesso.

Parecem dois pedidos bastante simples porém, já foi demonstrado que, aos olhos de muitos, são as tarefas mais difíceis que podem existir. Isto tudo porque, e como já referi, o ser humano está habituado a consumir em excesso, a comprar tudo o que quer desde que tenha possibilidades para isso. No meio da “corrida aos alimentos”, na pressa de encher os armários de casa com tudo aquilo que necessitamos, ou não, onde fica o espaço para o outro? No entanto, e felizmente, nem todos têm este tipo de pensamento. Cada vez mais têm aparecido instituições e pessoas que se demonstram disponíveis para ajudar os que precisam, sem receber nada em troca, apenas executando o que cabe a cada um de nós fazer em tempos como este: ajudar o próximo.

Para além disso, acho que devíamos todos encarar esta “pausa” nas nossa vidas, como um momento de reflexão sobre tudo aquilo que nos rodeia. Pode não ter sido a melhor forma de acontecer, mas ainda assim, considero que um “stop” como este, era já há muito necessário à existência humana. O mundo estava um caos. Os humanos já não eram humanos, eram entidades que agiam segundo normas, muito pouco éticas, como máquinas. Em pleno século XXI, direitos humanos eram atropelados, a dignidade humana era ignorada.


Assim que esta pandemia passar, vem a 2.ª parte do nosso teste, a recuperação e “reconstrução”. No início de cada ano, são várias as pessoas que gostam de pensar num “novo começo”, porém acho que este sim, será um novo capítulo para a história da humanidade. Todos os esforços serão necessários, devemos agir como uma nação, e não como um só indivíduo. Portugal (e o mundo) vão ter de se reerguer, tal como já o fizeram ao longo dos séculos. Será uma nova oportunidade para construirmos tudo aquilo que queremos ver daqui para a frente, todas as mudanças, quer ambientais quer éticas, devem ser implementadas agora, porque nunca sabemos quando nos será dada uma nova chance.

Leonor Nicolau, 11º ano

domingo, 19 de abril de 2020

As mulheres e a leitura

Almeida Júnior - Leitura, 1892
Na unidade dedicada aos Valores Estéticos, um grande número de alunos escolheu a pintura como área de estudo. Como um dos objetivos definidos para o ensino a distância neste período é a consolidação das aprendizagens anteriores, deixo aqui aos meus alunos, alguns exemplares da pintura dos séculos XVIII-XIX, que, curiosamente, retrataram - repetidamente - mulheres a ler. Numa época em que as mulheres ainda eram predominantemente vistas como inferiores aos homens, estas senhoras, aqui retratadas, eram muitas vezes da nobreza, ou as esposas e amantes ou filhas dos próprios artistas. A leitura só era acessível a algumas, e ainda assim, vista como atividade de ócio, já que a maior parte das mulheres nem sequer era alfabetizada.
Todas as obras que escolhi para hoje são de autores franceses, à exceção de um pintor brasileiro do séc. XIX, Almeida Júnior (acima).
Deixo pois à vossa apreciação Estética estas obras; num próximo post observaremos as mulheres leitoras de Auguste Renoir, um nome maior do Impressionismo.

Jean-Honoré Fragonard - A leitora, 1776
Jean-Honoré Fragonard - A leitora, 1776
   
Henri Fantin-Latour - A leitora, 1861
Jean-Honoré Fragonard - A leitora, 1776 
Henri Fantin-Latour - A leitura

Henri Fantin-Latour - A leitura (variação)


François Boucher - Madame de Pompadour, 1756

François Boucher - Madame de Pompadour, 1756


















 
Jean-Honoré Fragonard -Souvenir

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Marco Aurélio e o Estoicismo

Marco Aurélio

Quando falamos da Filosofia Antiga nas aulas, é inevitável falar dos gregos. Em Atenas concentrou-se a maioria dos homens tidos por sábios daquela época. Referimo-nos à época Clássica, onde pontificaram nomes incontornáveis, como Sócrates, Platão e Aristóteles, ainda hoje considerados como os grandes mestres da Filosofia Ocidental.

Porém, nem só estes existiram, nem só estes ensinaram, nem só estes fizeram escola na descoberta e desenvolvimento dessa atividade, outrora tida por ociosa, que era o Filosofar.

Já aqui falei de Pitágoras; poderia falar também de Parménides, de Zenão, de Heraclito, de Demócrito, de Tales, de Empédocles, Anaxágoras e tantos outros. Todos eles dedicaram a sua vida à descoberta dos "mistérios" que os rodeavam e à sua explicação, mais ou menos racional, mais ou menos mistico-mágica, mas quase sempre assente nessa grande mãe de todos nós que é a Natureza (physis). Ficaram conhecidos na História da Filosofia como os Pré-Socráticos. De caráter fisicista, ou naturalista, pois.

Pouco ou nada se fala destes filósofos nas aulas, que foram "banidos" após uma das muitas reformas dos programas de Filosofia do secundário. E é uma pena, pelo manancial de belos fragmentos que deixaram, apesar de tudo, à nossa consideração. Além de que, algumas das suas descobertas, acabariam por servir de referência a certas teorias contemporâneas, como a teoria dos "átomos", por exemplo, que foi buscar esse termo a Demócrito.

Quanto aos filósofos romanos, nem sequer existe um vislumbre nos programas, que eu me lembre, pelo menos desde 1975. Nas Universidades, estudamos mais ou menos en passant os Estoicos, a cujo pensamento surge associado o nome de Marco Aurélio.


Deste cidadão ilustre, que foi Imperador de Roma, de seu cognome Augusto, sabe-se que nasceu no ano 121 e morreu em 180. A sua obra conhecida chama-se "Meditações" e ainda hoje é recordado como um governante bem sucedido, íntegro, senhor de grande cultura, e filosoficamente conotado com o Estoicismo.


Outros Estoicos, como o grande mestre Séneca, ou Epicteto, classificaram a Virtude como condição necessária e suficiente para a Felicidade. Para estes filósofos, "somente um sábio pode ser considerado verdadeiramente livre" e "todas as corrupções morais são igualmente perversas".



Podemos então considerar que o Estoicismo se desenvolveu como um sistema filosófico essencialmente Ético e terá tido uma notável influência no pensamento dos primórdios do Cristianismo. Seja como for, revisitar Marco Aurélio hoje, assim como Séneca, faz todo o sentido e é oportuno.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Aniversário de Leonardo Da Vinci

Leonardo Da Vinci - Ritratto di Donna

Quer no âmbito da Estética, quer a respeito das inovações introduzidas pelo Renascimento, é incontornável o nome de Leonardo Da Vinci nas aulas de Filosofia.

Os alunos evidenciaram algum interesse acerca deste que foi um dos maiores nomes da Pintura italiana do Renascimento, mas também sobre os seus contributos para outras áreas do conhecimento.
Daí que seja sempre relevante assinalar o aniversário daquele que é, até hoje, uma referência de talento na cultura europeia, desde o século XV, e que perdurou pelos séculos seguintes.

Leonardo nasceu a 15 de Abril de 1452, numa pequena localidade chamada Vinci; terá vivido em Florença e Milão, acabando por falecer  no Castelo de Amboise, acolhido pelo rei de  França.

Durante a sua vida, muitas foram os seus inventos, descobertas e testes, até no campo da engenharia e da hidráulica, mas foi na pintura que as suas obras magníficas o imortalizaram.

Leonardo Da Vinci - Ritratto di Donna  di profilo in vestiti rinascimentali


Leonardo Da Vinci - Virgin of the rocks, Louvre Museum, Paris

terça-feira, 14 de abril de 2020

Mário Sérgio Cortella - Entre o Céu e a Terra

Os 10 mandamentos de Moisés gravados em pedra

No âmbito dos Valores Religiosos, faz sentido escutarmos com atenção um depoimento do filósofo Mário Sérgio Cortella, Professor da P.U.C. de S.Paulo, que explica as diferenças entre religião e religiosidade, ligando esses conceitos com as emoções e sentimentos ligados aos fenómenos da fé.

A sua explanação, em forma de entrevista, evoca os rituais sagrados de vários povos da Antiguidade e o exemplo de várias religiões que, ao longo dos séculos, atestam a ligação "Entre o Céu e a Terra", isto é, entre o Divino e o Humano, até na Arte.

São 33 minutos de boas reflexões.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Jesus realmente existiu? A palavra dos mestres na Páscoa

Quem foi realmente Jesus Cristo?





Um debate em torno da figura de Jesus, conhecido como o Cristo (o "Messias") dos Nazarenos.
Participam o Prof. Mário Sérgio Cortella, numa perspetiva filosófica e historiográfica, na perspetiva antropológica, Pedro Paulo Funari, e teológica, Pedro Lima Vasconcelos.

      Em discussão está a vida, a personalidade e as referências dos Evangelhos canónicos sobre a figura de Jesus, as narrativas que respeitam à chamada Santíssima Trindade e as deliberações do Conselho de Nicea.
   
      Rabino, revolucionário, ou apenas um pobre pastor?
Ele seria filho de Israel, portanto um judeu, terá tido uma educação muito influenciada pela cultura grega, e viveu sob a dominação, política e militar, romana.
   
      A sua mensagem terá sido predominantemente marcada pelas ideias de fraternidade, solidariedade, esperança, paz, amor, e claro, eternidade.
Salienta-se ainda o papel das mulheres que viveram próximo de Jesus, Maria Madalena e Maria, a sua mãe, cujos valores de coragem e perseverança terão sido os mais marcantes.

    São 52 minutos que passam sem se dar por isso, dada a excelência e a erudição dos discursos.
Muito bom!
Uma Páscoa tranquila.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Questões filosóficas suscitadas pela pandemia

Pirâmide de Maslow
Muito se tem falado e escrito sobre a pandemia da Covid-19. Trata-se de uma situação inusitada, que nenhum de nós tinha vivido. Faz parte da História Mundial de há um século, a chamada "gripe espanhola", também conhecida como a "pneumónica", que levou milhões de vidas, depois de ter dado duas vezes a volta no mundo, entre 1918 e 1920. Ao que tudo indica, ela foi causada pelo vírus Influenza H1N1, um parente próximo, da mesma família deste coronavírus (SARS-COV2).

Perante o alto risco, temos tido decisões da OMS adaptadas às exigências da situação, obedecendo ao "bom uso da razão", à "sensatez" e à "prudência", virtudes maiores de que já falei neste Blogue. Também nos governos (e Presidências) de alguns países havido lugar a decisões ponderadas, acertadas e explicadas às populações, de modo a obter a sua indispensável cooperação neste processo.

Mas também a falta de raciocínio lógico tem aparecido, inexplicável, na globalização das comunicações, algumas delas muito pouco fiáveis. Além de uma proliferação de lixo informático, carregado de fake-news e até as habituais curas milagreiras do mundo da charlatanice, que nem vale a pena comentar aqui.

Mas, mesmo da parte de quem se esperaria algum discernimento, têm surgido explicações absurdas desta pandemia: desde as teorias da conspiração mais absurdas, como as que colocam a China como um "fabricante de vírus em laboratório para acabar com a Economia do Ocidente", até às mais disparatadas e negacionistas posturas de alguns leaders com visibilidade internacional, tão inconscientes como incompetentes, que arrastaram, por tempo demais, a teoria da "gripezinha à toa", que não pode prejudicar a economia. Viu-se a sua consequência: milhares de vidas perdidas todos os dias. E o que mais virá a seguir, nem sequer podemos prever.

É neste contexto de imprevisibilidade que nos encontramos. Os humanos precisam de segurança, além de conforto e os bens essenciais à sua disposição. Lidamos mal com a imprevisibilidade e a incerteza. Demo-nos conta de repente (será que demos?), da contingência e da precariedade da existência humana (para não entrarmos nas teorias heideggerianas do "Ser para a Morte", a única certeza com que o ser humano, por natureza angustiado, vive).

Ao mesmo tempo, neste panorama, nunca proliferaram tantas ofertas de coaching, consultas de Psicologia on-line e consultoria filosófica. Tudo com vista a ajudar a enfrentar a pandemia e a não ceder à ansiedade. Sabemos que Portugal, para além de outros problemas de saúde, tem um altíssimo consumo de ansiolíticos e anti-depressivos entre a população. Já o tinha, mas nesta situação de estado de emergência, pode piorar.

É no sentido de evitar uma escalada de problemas psicológicos, que alguns filósofos, têm vindo a público com os seus artigos, chamar a atenção para alguns problemas que podem ser objeto da nossa reflexão. Respondendo ao desafio, faço aqui uma pequena lista de questões relacionadas com a pandemia e que estão contempladas nos nossos programas de Filosofia do 10º/11º anos:

1. A questão do Medo (da doença, da morte, própria ou de entes queridos).
2. O poder do Estado e a legitimidade das suas decisões.
3. A noção do Bem Comum: como é encarada pela maioria?
4. Em situações-limite quem escolher para salvar?
5. O confronto consigo mesmo em confinamento.
6. As formas de lidar com a solidão.
7. O day-after de uma pandemia.

Muitas outras questões poderiam aqui ser elencadas para um exercício de reflexão filosófica.
A crítica e a autocrítica são competências reflexivas que, uma vez adquiridas, nem em situação de crise, deveremos deixar de exercer. Para bem da nossa saúde mental e social.
Fica o convite para que deixem aqui os vossos comentários.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

A palavra dos mestres em tempos de pandemia - 4

Pitágoras - Rafael Sanzio - Escola de Atenas, séc. XVI, Museu do Vaticano 

Pitágoras foi um filósofo e matemático grego, fundador da Escola Pitagórica, uma comunidade de investigadores, que cultivavam estudos de Matemática, Geometria, Cosmologia, Música e Religião.
Consta que eram vegetarianos, ascéticos e acreditavam na transmigração das almas, o que poderá ter influenciado Platão. 
Como Pitágoras viajou muito, pensa-se que poderá ter aprendido a Geometria e a crença na Metempsicose no Egito. 
A escola pitagórica tinha uma vertente mística muito marcada e, na época, foi entendida quase como uma seita secreta, por praticar cultos a Orpheu e Diónisos.
Crónicas da época referem que os pitagóricos eram obrigados a guardar voto de silêncio sobre as suas descobertas, nomeadamente sobre os números irracionais. 
Reza a história que a Pitonisa de Delfos terá dito à sua mãe, quando grávida, que ela daria à luz um homem supremamente bonito, sábio e benéfico para a humanidade.

Dispomos de escassos fragmentos dos seus escritos, por, alegadamente, a escola ter sido incendiada, os manuscritos perdidos e a maior parte dos discípulos perseguidos, presos ou mesmo mortos nesse ataque. 
A informação sobre a sobrevivência de Pitágoras a esse momento não é segura, e há controvérsias sobre o momento da sua morte e se terá ou não sobrevivido a este incêndio.
Contudo, segundo Diógenes Laércio, a Escola Pitagórica terá continuado a ser dirigida por um discípulo nomeado por Pitágoras, Aristeu, e mais tarde ainda, por um dos filhos do mestre.
Os estudos sobre a Numerologia parecem ter sido um dos maiores interesses dos pitagóricos e Pitágoras é ainda hoje reconhecido, sobretudo na Matemática, através do seu célebre Teorema geométrico, que todos os nossos alunos citam de cor.


A palavra dos mestres em tempos de pandemia - 3

Platão, 428 a C. - 347 a. C.

Platão, de nome verdadeiro Aristocles, foi um notável filósofo grego, considerado um dos principais pensadores de sua época. Este dileto discípulo de Sócrates, procurava transmitir uma profunda fé na razão e na verdade, adotando o lema do seu mestre "o sábio é o virtuoso".
Escreveu diversos diálogos filosóficos, entre eles "A República", obra dividida em dez volumes, onde descreve as linhas orientadoras para um governo ideal de uma cidade. 
Essa Pólis deveria ser governada por filósofos-reis, que, virtuosos, garantiriam a prática do Bem, de acordo com uma longa formação ascendente para o conhecimento verdadeiro.

A palavra dos mestres em tempos de pandemia - 2


Cabe sempre recordar as palavras sábias de René Descartes ainda mais agora, por altura do seu aniversário. 
Este grande mestre nasceu no dia 31 de março de 1596, em La Haye, antiga província de Touraine, na França. Estudou num Colégio Jesuíta e formou-se em Leis, mas depressa percebeu que não era essa a sua vocação. 
Personalidade dominante da história intelectual ocidental, o filósofo, físico e matemático, é considerado o criador do pensamento cartesiano, sistema filosófico que deu origem à Filosofia Moderna. 
A sua preocupação era com a ordem e a clareza. Propôs fazer uma filosofia que nunca acreditasse no falso, que fosse fundamentada única e exclusivamente na verdade. Uma nova visão da natureza anulava o significado moral e religioso dos fenómenos naturais. Determinava que a ciência deveria ser prática e não especulativa.


Uma das suas principais obras foi "O Discurso do Método", na qual apresenta o seu método de raciocínio; a sua máxima "Penso, logo existo", acaba por afirmar-se como base de toda a sua filosofia e do futuro racionalismo científico. Trata-se de uma importante obra filosófica, publicada em França em 1637 e traduzida para o latim em 1656. Nessa obra expõe as quatro regras do método para se chegar ao conhecimento: nada é verdadeiro até ser reconhecido como tal; os problemas precisam de ser analisados e resolvidos sistematicamente; as considerações devem partir do mais simples para o mais complexo; e o processo deve ser revisto do começo ao fim para que nada importante seja omitido. Outras obras importantes foram as "Meditações Metafísicas" e "Tratado do Mundo", esta última sobre Cosmologia e que só viria a ser publicada postumamente.

Em 1649, foi trabalhar como professor da rainha Cristina na Suécia. Com uma saúde frágil, René Descartes morreu de pneumonia no dia 11 de fevereiro de 1650. A sua obra como Matemático também é até hoje reconhecida como válida, nomeadamente no âmbito da Geometria Analítica.

(Obrigada à Tita Fan por me relembrar do aniversário de Descartes).