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| Pirâmide de Maslow |
Muito se tem falado e escrito sobre a pandemia da Covid-19. Trata-se de uma situação inusitada, que nenhum de nós tinha vivido. Faz parte da História Mundial de há um século, a chamada
"gripe espanhola", também conhecida como a
"pneumónica", que levou milhões de vidas, depois de ter dado duas vezes a volta no mundo, entre 1918 e 1920. Ao que tudo indica, ela foi causada pelo vírus Influenza H1N1, um parente próximo, da mesma família deste coronavírus (SARS-COV2).
Perante o alto risco, temos tido decisões da OMS adaptadas às exigências da situação, obedecendo ao
"bom uso da razão", à
"sensatez" e à
"prudência", virtudes maiores de que já falei neste Blogue. Também nos governos (e Presidências) de alguns países havido lugar a decisões ponderadas, acertadas e explicadas às populações, de modo a obter a sua indispensável cooperação neste processo.
Mas também a falta de raciocínio lógico tem aparecido, inexplicável, na globalização das comunicações, algumas delas muito pouco fiáveis. Além de uma proliferação de lixo informático, carregado de
fake-news e até as habituais curas milagreiras do mundo da charlatanice, que nem vale a pena comentar aqui.
Mas, mesmo da parte de quem se esperaria algum discernimento, têm surgido explicações absurdas desta pandemia: desde as teorias da conspiração mais absurdas, como as que colocam a China como um
"fabricante de vírus em laboratório para acabar com a Economia do Ocidente", até às mais disparatadas e negacionistas posturas de alguns
leaders com visibilidade internacional, tão inconscientes como incompetentes, que arrastaram, por tempo demais, a teoria da "gripezinha à toa", que não pode prejudicar a economia. Viu-se a sua consequência: milhares de vidas perdidas todos os dias. E o que mais virá a seguir, nem sequer podemos prever.
É neste contexto de imprevisibilidade que nos encontramos. Os humanos precisam de segurança, além de conforto e os bens essenciais à sua disposição. Lidamos mal com a imprevisibilidade e a incerteza. Demo-nos conta de repente (será que demos?), da contingência e da precariedade da existência humana (para não entrarmos nas teorias heideggerianas do "
Ser para a Morte", a única certeza com que o ser humano, por natureza angustiado, vive).
Ao mesmo tempo, neste panorama, nunca proliferaram tantas ofertas de
coaching, consultas de Psicologia
on-line e consultoria filosófica. Tudo com vista a ajudar a enfrentar a pandemia e a não ceder à ansiedade. Sabemos que Portugal, para além de outros problemas de saúde, tem um altíssimo consumo de ansiolíticos e anti-depressivos entre a população. Já o tinha, mas nesta situação de estado de emergência, pode piorar.
É no sentido de evitar uma escalada de problemas psicológicos, que alguns filósofos, têm vindo a público com os seus artigos, chamar a atenção para alguns problemas que podem ser objeto da nossa reflexão. Respondendo ao desafio, faço aqui uma pequena lista de questões relacionadas com a pandemia e que estão contempladas nos nossos programas de Filosofia do 10º/11º anos:
1. A questão do Medo (da doença, da morte, própria ou de entes queridos).
2. O poder do Estado e a legitimidade das suas decisões.
3. A noção do Bem Comum: como é encarada pela maioria?
4. Em situações-limite quem escolher para salvar?
5. O confronto consigo mesmo em confinamento.
6. As formas de lidar com a solidão.
7. O day-after de uma pandemia.
Muitas outras questões poderiam aqui ser elencadas para um exercício de reflexão filosófica.
A
crítica e a
autocrítica são
competências reflexivas que, uma vez adquiridas, nem em situação de crise, deveremos deixar de exercer. Para bem da nossa saúde mental e social.
Fica o convite para que deixem aqui os vossos comentários.