sexta-feira, 17 de abril de 2020

Marco Aurélio e o Estoicismo

Marco Aurélio

Quando falamos da Filosofia Antiga nas aulas, é inevitável falar dos gregos. Em Atenas concentrou-se a maioria dos homens tidos por sábios daquela época. Referimo-nos à época Clássica, onde pontificaram nomes incontornáveis, como Sócrates, Platão e Aristóteles, ainda hoje considerados como os grandes mestres da Filosofia Ocidental.

Porém, nem só estes existiram, nem só estes ensinaram, nem só estes fizeram escola na descoberta e desenvolvimento dessa atividade, outrora tida por ociosa, que era o Filosofar.

Já aqui falei de Pitágoras; poderia falar também de Parménides, de Zenão, de Heraclito, de Demócrito, de Tales, de Empédocles, Anaxágoras e tantos outros. Todos eles dedicaram a sua vida à descoberta dos "mistérios" que os rodeavam e à sua explicação, mais ou menos racional, mais ou menos mistico-mágica, mas quase sempre assente nessa grande mãe de todos nós que é a Natureza (physis). Ficaram conhecidos na História da Filosofia como os Pré-Socráticos. De caráter fisicista, ou naturalista, pois.

Pouco ou nada se fala destes filósofos nas aulas, que foram "banidos" após uma das muitas reformas dos programas de Filosofia do secundário. E é uma pena, pelo manancial de belos fragmentos que deixaram, apesar de tudo, à nossa consideração. Além de que, algumas das suas descobertas, acabariam por servir de referência a certas teorias contemporâneas, como a teoria dos "átomos", por exemplo, que foi buscar esse termo a Demócrito.

Quanto aos filósofos romanos, nem sequer existe um vislumbre nos programas, que eu me lembre, pelo menos desde 1975. Nas Universidades, estudamos mais ou menos en passant os Estoicos, a cujo pensamento surge associado o nome de Marco Aurélio.


Deste cidadão ilustre, que foi Imperador de Roma, de seu cognome Augusto, sabe-se que nasceu no ano 121 e morreu em 180. A sua obra conhecida chama-se "Meditações" e ainda hoje é recordado como um governante bem sucedido, íntegro, senhor de grande cultura, e filosoficamente conotado com o Estoicismo.


Outros Estoicos, como o grande mestre Séneca, ou Epicteto, classificaram a Virtude como condição necessária e suficiente para a Felicidade. Para estes filósofos, "somente um sábio pode ser considerado verdadeiramente livre" e "todas as corrupções morais são igualmente perversas".



Podemos então considerar que o Estoicismo se desenvolveu como um sistema filosófico essencialmente Ético e terá tido uma notável influência no pensamento dos primórdios do Cristianismo. Seja como for, revisitar Marco Aurélio hoje, assim como Séneca, faz todo o sentido e é oportuno.

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