segunda-feira, 20 de abril de 2020

A palavra aos alunos em tempos de pandemia

A noção do Bem Comum: como é encarada pela maioria? 


Atualmente vivemos um período escuro na história da humanidade, algo que, apesar de já ter acontecido antes, nunca passa pelo pensamento do ser humano. Vivemos inundados num mundo de materialismo e consumismo, onde o objetivo de muitos é ser melhor e ter mais que o “outro”, e como tal, será esta pandemia um teste ao altruísmo e à solidariedade? Muitos dirão que sim, outros ocupados em abastecer a sua despensa, nem se preocuparão com tais valores.

Agora, mais que nunca, conseguimos perceber realmente quem são os “verdadeiros humanos”, com isto quero dizer que, é em momentos como estes que vemos a humanidade de cada um de nós, quer seja dos nosso amigos ou vizinhos. No dia em que foi declarada pandemia mundial, centenas de pessoas aproveitaram o calor e o bom tempo para ir até à praia, por isso pergunto: Pensaram no outro antes de tomarem essa decisão? A resposta é clara, não. É um facto que por essa altura a situação em Portugal não era grave, mas ainda assim, considero que deveriam ter parado um momento para pensar na saúde pública e no bem comum, já seria um grande passo terem pensado nos seus familiares e amigos. O que mais me indigna e me choca é o facto de terem arriscado a própria saúde, para quê? Para uma foto para as redes sociais? Para uma tarde de conversa com amigos, os quais estamos a pôr em risco?


Este é o maior problema do ser humano, age antes de pensar. Procura fazer sempre mais, e mais, e só depois parar para pensar nas consequências das suas atitudes. Mas, e se todos nós pensássemos assim? E se agora, em pleno estado de emergência, todos os portugueses pensassem “Vou só passear até à praia, aproveitar o bom tempo”. Bem, se todos tivessem esse tipo de pensamento uma coisa é certa, não existiria confinamento. É por esse mesmo motivo, que todos à nossa volta apelam para agir sempre no sentido do Bem Comum, isto é, sair apenas quando é necessário e não comprar tudo em excesso.

Parecem dois pedidos bastante simples porém, já foi demonstrado que, aos olhos de muitos, são as tarefas mais difíceis que podem existir. Isto tudo porque, e como já referi, o ser humano está habituado a consumir em excesso, a comprar tudo o que quer desde que tenha possibilidades para isso. No meio da “corrida aos alimentos”, na pressa de encher os armários de casa com tudo aquilo que necessitamos, ou não, onde fica o espaço para o outro? No entanto, e felizmente, nem todos têm este tipo de pensamento. Cada vez mais têm aparecido instituições e pessoas que se demonstram disponíveis para ajudar os que precisam, sem receber nada em troca, apenas executando o que cabe a cada um de nós fazer em tempos como este: ajudar o próximo.

Para além disso, acho que devíamos todos encarar esta “pausa” nas nossa vidas, como um momento de reflexão sobre tudo aquilo que nos rodeia. Pode não ter sido a melhor forma de acontecer, mas ainda assim, considero que um “stop” como este, era já há muito necessário à existência humana. O mundo estava um caos. Os humanos já não eram humanos, eram entidades que agiam segundo normas, muito pouco éticas, como máquinas. Em pleno século XXI, direitos humanos eram atropelados, a dignidade humana era ignorada.


Assim que esta pandemia passar, vem a 2.ª parte do nosso teste, a recuperação e “reconstrução”. No início de cada ano, são várias as pessoas que gostam de pensar num “novo começo”, porém acho que este sim, será um novo capítulo para a história da humanidade. Todos os esforços serão necessários, devemos agir como uma nação, e não como um só indivíduo. Portugal (e o mundo) vão ter de se reerguer, tal como já o fizeram ao longo dos séculos. Será uma nova oportunidade para construirmos tudo aquilo que queremos ver daqui para a frente, todas as mudanças, quer ambientais quer éticas, devem ser implementadas agora, porque nunca sabemos quando nos será dada uma nova chance.

Leonor Nicolau, 11º ano

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